Atualmente não é raro, ao deparar-se com o
jornal pela manhã, que surjam
faces de espanto. Crime, morte, mentira, falta de bom senso,
sensacionalismo, e toda as mais vis atitudes humanas. O que está se tornando raro é, sim, depara-se com um jornal
impresso.
Nick Georgiou é um inventivo artista novaiorquino que consegue transpor o susto com o jornal para o atual susto do jornal, através de uma aprimorada e característica técnica de dobrar e amontuar jornais, livros e revistas velhas.

O interesse de
Nick por esse tipo de
matéria prima vem da análise dos rumos que a propagação de
informação tomou e a relação dos
leitores com ela. Com a internet, os celulaes e os ebooks,
"os livros e os jornais estão se tornando", segundo ele, "os artefatos do século 21". E
Nick quer dar nova vida a esses artefatos.
"Meu trabalho não é apenas sobre o declínio da palavra impressa na sociedade de hoje, mas o seu renascimento como arte."Algumas das obras mais impressionantes do escultor expressionista são as
criaturas que ele espalha pelas
ruas, sempre com expressão de espanto, assombro, terror,
boquiabertos e com
olhos arregalados como que
hipnotizados, transformados em zumbis.
"Uma ilustração da nossa obsessão coletiva com o imediatismo da mídia e da nossa dependência do ciclo de notícias 24 horas". As criaturas têm movimento
orgânico, e dão a incrível impressão do animal arisco, que controla todos os músculos diante do
medo, esperando pelas próximas ações.







Além das intervenções urbanas, alguns trabalhos
de Nick são expostos em
galerias. O que o move ainda é o mesmo sentimento, e a
técnica e a
imaginação do artista igualmente impressionam.
"O que eu gosto mais sobre peças de rua é o elemento de surpresa: você praticamente não tem controle, não há limites claramente definidos, e todos tem acesso. Galeria mostra apelo para mim como um espaço sagrado. Lá há mais ordem, e é um tipo diferente de experiência catártica, porque é incluída dentro dos confins do espaço."



Portofolio do artistaEntrevista via Juxtapoz - Parte
I e
II